quarta-feira, 20 de abril de 2011

Cat City


Pense

 A cada minuto eu estou envelhecendo,
assim que nascemos já estamos bem morrendo.

Eu vivo a morrer, morrer, morrer.

A vida é um relógio tal girando anti-horário,
nem sempre percebemos e vivemos ao contrário.

Coração, cada compasso de batida é menos um.
Se apaixona pela sina de voar sem plano algum.

O preto é a cor da metade dos meus dias,
o luto preferido de todas as fotografias.

O riso do meu passo usa bengalas e muletas,
e o bolso em meu casaco leva 10 mil borboletas.

Eu vivo a morrer, morrer, morrer.

Enfeio a minha língua com diversas catacreses.
O tamanho da igreja é indiferente ao quanto rezes.

O tempo oxidante afina o caule do girassol.
Sinfonias destruídas em oitavas de si bemol.

Apóstolos pintados ao redor da redenção...
o frio em 2000 anos apagou a compaixão.

Reis me salvem do viver, irmãos me salvem do amanhã,
onde jazigos vazios ecoam o ruído da mordida na maçã.

Eu vivo a morrer, morrer, morrer.

tic tac tic tac tic tac tic tac tic tac cit cat cit cat cit cat city.

Danilo R. Leite

2 comentários:

Savio Gomes música&poesia disse...

Mais um "super-poema"! Fantástico!

Carol Nascimento disse...

Gostei muito disso!!! É pura arte! tem cor e som!

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