segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Peles Gastas

Eu nunca vou te amar
Como você já fora amada certa vez
Eu nunca vou te amar
Como amei alguém da primeira vez

Eu nunca vou te amar
Como aquele certo alguém te amou
Eu nunca vou te amar
Como um certo alguém uma vez amei

Eu nunca vou te amar
Como em sonho você fora arrebatada
Eu nunca vou te amar
Como em meu peito tanto ardeu cada cartada

Eu nunca vou te amar
Como você se entregou pela primeira hora
Eu nunca vou te amar
Como da primeira vez saí porta afora

Eu nunca vou te amar
Mas prometo, por dentro guardo um segredo
Eu nunca vou te amar
Mas te dou, em garantia, o que restou de sentimento

Peles gastas de tanto arrependimento...

(Danilo R. Leite)

Nota - afora: comentado pelo Professor Sacconi.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

_____Tudo aquilo que não conseguiu me dizer

Hommage à la ville de l'amour
Existem certas coisas que devemos dizer.
Que devemos dizer antes de morrer.
Eu confesso entendi tudo.
Tudo aquilo que não conseguiu me dizer.

Há idéias que precisam permanecer na oficina;
para diagnóstico e análise profunda.
Outras querem fugir gritando e dobrando a esquina;
para libertar o gênio alvo da prisão imunda.

Da prisão suja e fria qual o cárcere da mente.
O extravaso da razão em virgem emoção quente.

Não guardes no peito o que ao mundo pertence.
Não cubras teu corpo com medo do que o outro pense.
Não leves na alma teus segredos para a eternidade.
Teus tesouros escondidos se desmancham com o passar da idade.

Poucas são as coisas que não devem ser expostas.
O amor não curte anonimato 
(nem excesso de publicidade).
A paixão e as coisas boas nunca devem ser pospostas.
O temor é o amigo mais ingrato
(o amigo mais ingrato da felicidade).

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Gravadas na Pele


Me dá vontade de chorar e choro
Ai, a juventude que vai, não volta mais
Pessoas queridas que se esforçam
E nos curam as feridas
Lembranças do que nos parece
que o passado era feito só de felicidade
não se sabe até onde isso tudo é verdade
Melancolia dos minutos vividos
desgastados, usados, e que passaram
arrastaram nosso corpo adiante
e ficaram para trás
Deixam no presente apenas a lágrima
o aperto do peito, das pálpebras
Ainda somos aqueles que dão valor
ao que fomos naqueles tempos
Mas não somos mais, não mais somos assim
As músicas são iguais, continuam as mesmas
O sentimento da hora, daquelas horas
não é igual. Alguma coisa avançou
hoje o sentimento é mais forte
mais leal, mais profundo, mais convicto.
Que coisas bobas...
e a gente pensa que é tolice mesmo
aqueles nomes, os rostos
as pessoas queridas, e até as não
que sorte que eu tive de poder ter algo
ao que me lembrar agora
senão viveria sozinho
à margem do próximo segundo
sem ter onde me apegar
na lembrança, no caminho
que percorrido foi de marcar
As melhores coisas da vida
são estudadas sem querer
ficam gravadas na pele, por dentro
nunca mais se faz esquecer
nem com alzheimer, nem com pancada
se há algo mais duro que diamante
se há algo de matéria
a alma é a mais indeteriorável
com qualidade nada deletéria
finca-se no ser uma cor
enrijecendo a artéria.

Monologue

Alô, Deus?
Sou eu mesmo! Como sabia? Ah, pergunta besta.
E aí rapaz! Como estão as coisas?
É mesmo? Que bom, graças a Deus, né!
Digo, graças a você! Hehe...
Pois é. Eu sei. Faz tempo mesmo que a gente não se fala.
É, eu liguei na verdade pra te pedir um favor, pra variar, né.
Então, foi. Fiquei triste, sim.
Porém eu sei que é egoísmo meu. Ele está bem, com certeza. Não precisa me dizer.
Mas olha, eu tenho uma boa notícia.
Parei de fumar! Você vai demorar mais pra me ver!
Eu sei que você já sabia, mas... queria que você escutasse pela minha boca.
É o seguinte: sabe aquela...
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