segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Gravadas na Pele


Me dá vontade de chorar e choro
Ai, a juventude que vai, não volta mais
Pessoas queridas que se esforçam
E nos curam as feridas
Lembranças do que nos parece
que o passado era feito só de felicidade
não se sabe até onde isso tudo é verdade
Melancolia dos minutos vividos
desgastados, usados, e que passaram
arrastaram nosso corpo adiante
e ficaram para trás
Deixam no presente apenas a lágrima
o aperto do peito, das pálpebras
Ainda somos aqueles que dão valor
ao que fomos naqueles tempos
Mas não somos mais, não mais somos assim
As músicas são iguais, continuam as mesmas
O sentimento da hora, daquelas horas
não é igual. Alguma coisa avançou
hoje o sentimento é mais forte
mais leal, mais profundo, mais convicto.
Que coisas bobas...
e a gente pensa que é tolice mesmo
aqueles nomes, os rostos
as pessoas queridas, e até as não
que sorte que eu tive de poder ter algo
ao que me lembrar agora
senão viveria sozinho
à margem do próximo segundo
sem ter onde me apegar
na lembrança, no caminho
que percorrido foi de marcar
As melhores coisas da vida
são estudadas sem querer
ficam gravadas na pele, por dentro
nunca mais se faz esquecer
nem com alzheimer, nem com pancada
se há algo mais duro que diamante
se há algo de matéria
a alma é a mais indeteriorável
com qualidade nada deletéria
finca-se no ser uma cor
enrijecendo a artéria.

Um comentário:

Savio Gomes música&poesia disse...

" que sorte que eu tive de poder ter algo ao que me lembrar agora
senão viveria sozinho
à margem do próximo segundo
sem ter onde me apegar
na lembrança, no caminho..."

UAU!!!!!! Isto é perfeito!Parece Drummond!

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