sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

LE GRAND AMOUR

UM GRANDE AMOR NÃO PODE NUNCA SER SUBSTITUÍDO
PORQUE SIMPLESMENTE NÃO PODE SER ESQUECIDO
PODE ATÉ MESMO EXISTIR UM OUTRO EM SEU LUGAR
POIS UM AMOR FINDO NÃO INTERFERE NO EXERCÍCIO DE AMAR
AMOR BOM DO PRESENTE, SEQUER A CABEÇA ESQUENTE
UM BOM AMOR INDEPENDE DE OUTRO QUE SE FEZ AUSENTE
E SE O ANTIGO FOI MESMO GRANDE O SUFICIENTE
AO AMOR NOVO NÃO ADIANTA FUGIR E NEM LUTAR
VIVERÁ AQUELE NO PEITO SEMPRE A RESISTIR E INCOMODAR

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

MUNDO REAL


Eu vi a natureza estampada no papel
Mas destrói a natureza esse papel
Beija-flor foi o primeiro a sumir
Virou moeda infectada de pedir
Tartaruga era a que mais circulava
Mesmo lenta era a que mais trabalhava
Nem queria mais voar a branca Garça
Sem valor foi ficando tão sem graça
Dona Arara avermelhada de vergonha
Foi trocada por um naco de maconha
Mico-leão que nem ouro se escondia
Vendo o fogo que à floresta destruía
Onça pintada se escondia mais ainda
Do progresso que a fez quase extinta
Garoupa era a mais rara da bacia
Muita gente nem sequer a conhecia
Um belo dia aboliram esse papel
E a Natureza resgatou o seu papel
Bicho-homem descobriu felicidade
Foi pra roça e abriu mão lá da cidade

domingo, 16 de dezembro de 2012

No Popular

Estourou-se a corda da minha viola,
Muié, cansei das tua ambição!
Ajuntei minhas coisa fui simbora.
Tasquei o pandeiro no chão.
Como a árvore que pra germinar 
precisa semente boa.
Como se diz no popular,
muié que não mente voa!

sábado, 8 de dezembro de 2012

Sempre que Anoitecia


Sempre que anoitecia
eu me lembrava das estrelas
vindo à luz como vidas
crescendo seu brilho
a cada olhar.

Sempre que anoitecia
eu me lembrava do frio
do início do orvalho
sobre a grama do chão
ao luar.

Sempre que anoitecia
com os pirilampos
e o risco da pólvora
ao acender o lampião
hei de lembrar.

Sempre que anoitecia
eu guardava um sentimento
para que me recordasse
e fizesse uma poesia.
(Danilo R. Leite)

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

ESCREVO POR QUÊ?

Escrevo porque não podia deixar de ser.
Escrevo porque faz bem e faz crescer.
Escrevo a alma, escrevo pra vencer.
Vitória é coisa que dá orgulho de se ter.
E me orgulho apenas do que pude tecer:
Poeta é a coisa que mais me orgulho de ser.

(
Danilo R. Leite)

terça-feira, 27 de novembro de 2012

A Face e a Lua

A face e a lua
beleza crua.
A noite e a rua
a minha e a tua.

As gotas de chuva
molham tuas curvas
tão belas e surdas
nem ouvem minhas juras.

Tua boca e o não
tão certos que são
pois rendo-me então
ao copo e ao chão.

Te joga em meu pranto
e sejas meu manto
e que eu seja portanto
o silêncio que eu canto:

"A face e a lua
beleza crua.
A noite e a rua
a minha e a tua".

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Bocejo Infantil de Setembro



                    Misteriosas são as vozes que nos falam.
                    Desconhecidos são os recônditos da alma,
                    onde nenhum alfinete conseguiu ferir;
                    lugar sitiado apenas para deleite da natureza.
                    Coração e mente alinhados como estrelas,
                    formando as constelações mais admiradas.
                    As pétalas delicadas acariciam a vista,
                    trazem a pergunta sobre até quando irão durar;
                    persistir em vida contra quem mais encantam:
                    o bicho-homem que despedaça e avilta,
                    mas que encoraja e perdoa e percebe.
                    Sereno multicolorido pretende fascinar!
                    Quem poderia ter em si tal projeto? O criador?
                    Sobre que pensamentos estavam escondidos
                    os ipês tranquilos antes de brotar ao chão?
                    Travando guerra à cidade faminta,
                    inspiram ainda os que trazem saudade em vida.
                    Bocejo infantil ao esvair da noite.
                    Caules avante em direção ao céu...
                    e o azul infinito em forma de chuva retribui
                    os carinhos deles que daqui partiram despercebidos.
                    A energia florida em cores de realidade
                    circula o sangue da terra um dia satisfeita,
                    orgulhosa de suas criações e intenções.
                    Setembro, só o sabemos pois a beleza nos avisa,
                    quando o solo recoberto impõe respeito
                    e sagra a eternidade no sentimento de quem o viu, Setembro.

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Arco-íris sem Cor

Tá faltando uma cor no arco-íris
que é bem da cor da tua íris.
E teu olho é tão colorido
e porque pra mim não quer olhar
deixa o peito meu tão doído
que os olhos meus
pelos teus querem chorar.
Que cor danada
tão difícil de achar.
Se eu tivesse uma parada
que valesse pra caramba
eu trocava num castelo
colorido pra te dar.

E nos versos do meu samba
eu faria o povo todo
em um só coro lhe contar
que a falta dessa cor
na minha vida é de matar.
E podias escolher
qualquer cor do meu castelo
pro teu olho enfeitar.

Devolvia ao arco-íris
essa cor que a ele falta
desde que você nasceu.
Pois contigo ao lado meu
minha alma eu alegrava.
E via o povo bem contente
pela cor tão reluzente
que ao arco retornava.

terça-feira, 15 de maio de 2012

A Água do Rio

Nessa água que o rio corta passa rato e passa cobra.
Mas nem rato e nem cobra nessa água a passar torna.
Pois depois que n'água do rio passa torna-se mortal.
E nem cobra e nem rato e nem água é mais igual.

(Danilo R. Leite)

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Sobre o Elogio

As bonitinhas moderninhas são assim mesmo, eu me esqueci. Vivem na defensiva, não absorvem nem o ruim, muito menos o bom, vivem na penumbra, sem sol, alimentam-se do transparente para serem invisíveis, porque o mundo tem muito assédio, não é... Que pena, melhor nascer feio, um dia encontra o amor verdadeiro...

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Terra Molhada













Molha a planície desgraçada, molha. 

Deixa brotar "rosinhas" à beira da estrada.
Faz crescer o orgulho de ser atrasado.
Deixa o som do trovão balançar tua alma pobre.
Reveste a ti de foda-se e seja feliz e imundo.
Chuva ácida de ignorância que inunda Campos...
... molha a planície desgraçada, molha.

terça-feira, 3 de abril de 2012

Critérios - Parte 3 (Samba)

Mulher,
Amo tuas pontas e teus orifícios
Amo teus defeitos e teus caprichos
Amo teu sexo e teu amplexo
Amo tua face e a tua coragem
Amo teu reflexo e a tua imagem
Amo teu coração e a tua ambição
Amo teus critérios e teus mistérios
Amo teus seios e teus anseios
Amo teu corpo e o teu espírito
Amo teu dilúvio e teu deserto
Amo teu errado e o teu certo,
Mulher.

sexta-feira, 30 de março de 2012

Critérios - Parte 2 (Bossa Nova)


Eu quero arrulhar por aí, assim despenado.
Voar meio sem jeito, como ave bandida.
Quero admirar a bondade da vida,
vista de cima do Corcovado.

Tenho consciência de ser marginal.
Tenho orgulho de ser carioca.

Tomo um chopp de manhã,
bebo um uísque à meia luz.
Prezo a amizade e a arte,
que me fazem parte do que lhe seduz.

Um cantinho, um violão
e a interjeição repleta de carinho:
...o redentor – “que lindo, Tomzinho!”.

Vi um deslumbrar sincero eternizar-se em canção,
critério importante no seio meu desde então.

segunda-feira, 5 de março de 2012

Critérios - Parte 1 (Jazz)

De que me adianta viver,
se não puder perder-me, ganhar-me?
De que me adianta querer
resplandecer sem decifrar-me?

A incógnita da vida anseia
por mente alegre em dias sérios
e boa-vontade em lua cheia
pra desvendar seus mistérios.

Sem descuidar dor alheia,
em si achar teus critérios
pro amor que lhe corre em veia.
Provê própria alma em festa,
pois sem isso em ti nada resta.

Tão puro amor exalando se foi,
perdeu-se pra sempre em vapor gentil.
Definhando feliz como em flôr se foi
meu jovem sonho-amor gentil.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

O APRENDIZ

NEM O MELHOR APRENDIZ 
NÃO APRENDE DIREITO
SEM NUNCA TER CICATRIZ
SEM TER UMA DOR NO PEITO

NINGUÉM APRENDE A CAMINHAR
SE ABRE MÃO DE SE CORTAR
NADA DE BELO SE CONSTRÓI
POIS SE EM TI NADA DÓI

A VIDA PEDE ESFORÇOS
MUITAS VEZES DESUMANOS
MESMO PARA OS MAIS DEVOTOS
É A DOR QUE IMPEDE OS PLANOS

PARA QUEM NÃO SABE AINDA
COM TEU SANGUE EM TAÇA GRANDE
A DOR DEVAGAR SE BRINDA
QUANDO TEU SOFRER SE EXPANDE

domingo, 19 de fevereiro de 2012

SUCESSO x FRACASSO

A sociedade, os pais, os amigos, o mundo exige de nós que sejemos um sucesso. Toda a cobrança excessiva gera estresse, medo, e frustração. Por isso há tantos jovens assustados, apelando aos anabolizantes, refugiados nas drogas e no álcool, escondendo-se atrás de comida, engordando, adoecendo, suicidando-se, praticando atos desesperados de vandalismo e violência inexplicável. A exigência do sucesso se tornou um dos maiores males dos últimos tempos. Aprendi recentemente que não é preciso tanto para ser feliz, que não é preciso tanto na vida, pois na hora da partida o que nos interessa é muito pouco. Faço meus esforços na medida do equilíbrio. Não devo mais agir pensando em agradar somente a outrem. A fase de ser aceito já passou, agora eu que me tenho que aceitar e permitir-me ser feliz. Não há limites para o querer, não há limites para quem sonha de verdade, mas tenhamos cuidado para identificar o que, realmente, nos motiva. Se forem nossas razões, ótimo; se forem razões que não fazem muito sentido para nós, somente para outros a quem queremos agradar, de nada vale a pena. Busque o sucesso na verdade, seja você de fato, não seja aquele que todos desejam. Até porque, você precisaria ser muitos para agradar a todos esses que te desejam diferente. Saiba encontrar as pessoas que o querem ao lado pela sua verdade, nunca pela sua inverdade. O melhor caminho para ser feliz é ser honesto, mais do que com outros, consigo mesmo.


(Dan RibLey)

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Eclipse


“Loud and smooth I hear the waves
- so sublime -
Back and forth I see them play
- on the shoreline -
Over the tides and
- all around -
A moon eclipse interferes
Like your steps
- on my ground -
Chasing away my old fears

(Dan RibLey)


Tradução

"Alto e suave escuto as ondas
- tão sublimes -
Para frente e para trás as vejo brincar
- na costa marítima -
Sobre as marés e
- em todo lugar -
Um eclipse lunar interfere
Como teus passos
- no meu chão -
Espantando pra longe meus velhos medos"

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Quinas Frias


Cabisbaixo eu sigo, sem orientação

O solo árido desgasta meus passos
em tropeços e impulsos que me levam sem direção.

Queria o peito inflado de suspiros sem fim

em vez disso tenho o coração flácido
Meu soluço é um coice dentro de mim.

Os olhos são mil mágoas, marejados

vasculham o horizonte lentamente
disfarçando os pensamentos tão cansados.

O pranto é um detalhe do espetáculo circence

no picadeiro: a ilusão entretém
na bilheteria vazia: a esperança se vence.

Cubículo de solidão, quinas frias

sol gelado alaranjado de vergonha
pesca a dor do pescador de mãos vazias.

Vertigem e apatia, inapetência e saudade

quatro amigas de copo
dilacerando o errante por pura maldade.

No campo o verde agora é pálido e sem graça

no asfalto o cinza desbotou-se mais ainda
pelo amor que dessa vez abandonou-me frente a praça.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Enxurrada de Emoção


Eu não sei o quanto se possa querer
sem saber que eu posso muito saber
eu peço ao universo todo poderoso
que me faça subir mais idoso
que me atenda a esse apelo
quisera ter, ser, poder mais
para nutrir as forças de jamais
Encubra meu rosto de amor
alegria, euforia e sabor
Partituras e cifras timbradas
claves e colcheias soltas ao ar
são folhas imóveis, presas
são leigas damas ao luar
generoso criador dos mares
nas marés me faça paz
seca minha sede desses bares
na rua da minha vida
na calçada dos meus sonhos
do meu sono no seu jardim
deixa que caia a toda
o temporal de amor que existe em mim
Me enfeite assim, de riso
diga ao meu poeta íntimo
de face áspera, peito liso
Acaba de vez com a tentação
enxurrada de emoção
abraça minha vida em sinfonia
minha alegria de voz e violão
Acalma minha fera, minha ferida
ardida de lembranças bonitas
pecados em sílabas finas
tiras de lírio de um coração
crescido na selva dos limites
nas seivas do amor sem razão
do sentimento selvagem
que não cobra passagem
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