segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Labirintos

Viro esta folha bonita
de livro
Com manchas na tinta 
que chorei rindo
N’outrora molhei 
com meu pranto
pelo que aprontei
Pois, entretanto
não dá pra ser poeta
sem chorar
Que me possam perdoar
os que magoei
ao ser poeta
ao ser o que eu sei
Ao mesmo tempo
não posso perdoar
quem se afastou
sem razão
E escrevo pra me livrar
de quem me livrou
da emoção
que me tomou
ao jogar
minhas lágrimas
no jogo
Mas se já
não queremos chorar
Só um jeito há
o de atear fogo
aos escritos
ou deixá-los ao tempo
aos gritos
E o cupim
que provar o sabor
do meu papel
que um dia some
com gosto de féu
há de morrer de amor
ou morrer de fome
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